Dicas e Turismo

PETAR e a Caverna do Diabo

Em julho de 2013 fizemos um passeio que o Franco, há tempos, insistia em fazer novamente (pois já havia feito na época do colegial), mas que eu sinceramente menosprezava: “Pobre Daniella, mal sabia ela o que estava perdendo!”

E foi graças a essa viagem que me apaixonei pelas cavernas do PETAR, mesmo tendo apenas 3 dias para conhecer o máximo que poderia.

Como chegar

A Caverna do Diabo encontra-se nas redondezas da cidade de Eldorado, há 30Km de Iporanga. E o PETAR está entre as cidades de Apiaí e Iporanga, na região conhecida como Alto do Ribeira. Ambos no estado de São Paulo.

Essa é uma viagem que você deverá fazer de carro, utilizando a rodovia Régis Bitencourt, sentido Curitiba. Se fizer como nós e parar na Caverna do Diabo antes, após 245Km de Régis (3h de percurso), terá que pegar a saída para a cidade de Eldorado, passar por dentro ela e percorrer ainda uma outra estradinha (asfaltada) por mais 40Km. Ou seja, até aqui, 3:40h de percurso.

Após a visita, são mais 30Km de estrada até Iporanga.

Entenda o território

Eu também não sabia disso, mas a Caverna do Diabo não faz parte do PETAR. Ela é uma das maiores cavernas do estado e tem o seu próprio parque, ou seja, Parque Caverna do Diabo.

Já o PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira) encontra-se no Vale do Ribeira e é dividido em 4 núcleos de visitação: Santana, Casa de Pedra, Ouro Grosso e Caboclos.

Essa divisão faz parte do seu plano de manejo e foi criada para ajudar no controle da preservação desse ecossistema, na distribuição dos visitantes (visto que a cada entrada e saída de caverna é necessário colocar seu nome em uma ficha e dar baixa quando voltar) e no próprio trabalho e distribuição dos guias locais.

Quanto tempo passar no PETAR

O PETAR possui mais de 300 cavernas, muitas trilhas e cachoeiras. Acredito que 5 a 7 dias seria suficiente para conhecer bem a região, mas como nós não tínhamos todo esse tempo à nossa disposição, passamos 3 dias por lá. Foi suficiente para conhecer o principal dessa região de cavernas.

Onde ficar

O PETAR encontra-se entre as cidades de Apiaí e Iporanga, e por conseqüência, essas são as cidades utilizadas para quem ficará hospedado por lá.

Pelo que pesquisei, em Apiaí as hospedagens são poucas, simples e mais distantes do parque. Já em Iporanga, você tem uma estrutura um pouco maior, digna de uma população de 4.000 habitantes como 1 posto de gasolina, Banco Bradesco e Santander, 2 mercados, 1 farmácia, 2 igrejas, um ou outro restaurantes e não muito mais que isso.

Logo na entrada você avista a pousada Iporanga e a um ou dois quilômetros adiante, está a pousada Casa de Pedra onde nos hospedamos. No próximo post falaremos mais sobre ela.

Na estradinha entre Iporanga e Petar, existem algumas pousadas também.

Nosso roteiro no PETAR

Primeiro dia

Era uma sexta-feira e saímos de São Paulo por volta das 7h da manhã. Como disse acima, pegamos a Régis Bitencourt e seguimos para a Caverna do Diabo. A D. Sonia, proprietária da pousada em que ficamos, nos deu a dica de passarmos por lá antes.

Devo dizer que essa será a visita mais bem estruturada de todas. Existe um estacionamento para deixar o carro, um restaurante, banheiros e lojinha de souvenir.

Caverna do Diabo 4

Do estacionamento até a caverna, existe ainda mais um caminho de 300m para se fazer à pé até a bilheteria. Aqui você irá pagar R$20 pela visita sendo, R$9 destinado ao parque e R$11 à Associação de Monitores, pois não existe a possibilidade de adentrar a caverna sem um.

Existe um limite de pessoas por grupo e intervalos de entrada que devem ser respeitados. Não insista. Isso faz parte da capacidade de carga do local.

Todo o percurso dentro da caverna é de fácil locomoção com passagens e degraus de cimento que te ajudam a conhecê-la e transitar pelos diversos níveis. Essa será também a mais fácil de fotografar, pois é toda iluminada de forma artificial internamente.

Caverna do Diabo 22

Essa caverna possui mais de 6Km de extensão e apenas 700m dela podem ser visitados. Essa visita durou cerca de 1:30h e foi FANTÁSTICA!

Em seguida seguimos para Iporanga, para conhecer a nossa pousada e descansarmos para o dia seguinte.

Segundo dia

Acordamos por volta das 8h, tomamos o café da manhã e conhecemos o nosso guia que nos acompanharia no sábado e no domingo. Mais uma vez foi a D. Sonia quem providenciou o guia para nós.

Da pousada até o PETAR, percorremos por 7Km uma estradinha onde, em alguns pontos, era de terra. E como havia chovido, tinha um trecho bem chato de passar. Mas não atolamos (viva!!!).

Estrada até o PETAR 3

Neste dia fomos conhecer algumas cavernas do Núcleo Santana. E aqui a capacidade de carga funciona da mesma forma: limite de número de pessoas e freqüência de entrada de grupos nas cavernas. Portanto, é lá, na hora, que você vai descobrir o seu roteiro e qual a caverna que fará primeiro.

Em nosso caso, começamos pela Caverna Água Suja que leva esse nome pois tem água por quase toda caverna e assim que você pisa nela, os sedimentos se movimentam, se misturam com a água e a deixam com uma coloração turva, suja.

Caverna Água Suja - PETAR 14

A visita vai durar 1:30h e para chegar até a caverna, percorrerá a trilha Betari, cruzando o rio de mesmo nome por duas vezes. Uma aventura de 30min pela Mata Atlântica para depois chegar à boca da caverna.

Em sua caminhada por dentro dela, em alguns momentos, o nível da água estará em suas canelas e em outros, em sua cintura ou mais acima se você, assim como eu, tiver seus 1,55m de altura. Passará por câmaras altíssimas e contornará estalactites tão baixas que quase tocam o chão. É um tal de sobe e desce o tempo todo, rs.

Essa caverna foi mais incrível que a Caverna do Diabo pois aqui, não tinha a estrutura da primeira. Iluminação? Só a de sua lanterna. E a orientação? Só a do seu guia.

Após a nossa visita, retornamos ao lugar onde estavam estacionados os carros para comermos o lanche que havíamos preparado. Após 1h de descanso, conheceríamos a Caverna Santana.

A Caverna Santana, por sua vez, possuía alguns trechos com estrutura e outros, não. Em alguns pontos existiam escadas de madeira e vigas suspensas com corrimão por onde cruzávamos a água que passava por dentro da caverna.

Caverna Santana - PETAR 11

Apesar de não termos pisado na água, essa era mais difícil. As vigas pelas quais passamos eram bem estreitas, possível de caminhar apenas com um pé na frente do outro e a iluminação, mais uma vez, só a das nossas lanternas.

Com o auxílio de escadas de madeiras (mas não em todos os pontos), subimos diversos níveis desta caverna. E em alguns pontos desse trajeto, passamos por cima de precipícios onde não era possível ver o fim. Existiam câmaras altas e espaçosas e buraquinhos por onde você jura que não vai conseguir passar. Uma aventura digna do Indiana Jones, mas sem pedras rolando #PeloAmordeDeus!

Caverna Santana - PETAR 2

O nosso guía, Roberto, era fantástico. Cauteloso e divertido. E ao contrário dos outros guias, não fazia as coisas com pressa. Em muitos momentos, fazia-nos apagar as luzes e nos contava histórias assustadoras ou engraçadas dentro de câmaras silenciosas. Nelas morava a mais pura escuridão.

Saindo da Caverna Santana, conseguimos ainda ver mais uma delas, a Caverna Morro Preto. Percorremos uma trilha de aproximadamente 20min até chegar à boca da caverna.

Essa caverna era diferente das outras que até então tínhamos visto. Além de ser seca, ela sofreu um desmoronamento de parte de seu teto e portanto, pelo chão, ao invés de estalagnites, encontrará grandes pedras.

Caverna Morro Preto - PETAR 7

Dentro dela existe um mirante onde você consegue ver a boca da caverna de dentro pra fora. E aos pés desse mesmo mirante, como já era possível imaginar, existe um belo precipício. Essa foi a visita mais rápida e, ao final, entramos em uma cachoeira extremamente gelada. Eu acho que fiquei uns 5 minutos e sai, rs.

Voltamos então para o nosso carro e o dia acabou por aqui. E mais uma vez, jantamos na pousada em que estávamos hospedados

Terceiro dia

Esse seria o dia em que partiríamos para São Paulo, então, tínhamos que ser rápidos.

Os planos eram fazer mais uma caverna e um bóia cross. Mas como comecei a dizer eram apenas planos. A D. Sonia não foi nada flexível conosco com relação ao horário de check-out e tínhamos que retornar à pousada por volta das 12h. Acabamos então, ficando apenas com a caverna!

Essa última caverna foi a Ouro Grosso, parte do Núcleo que leva o mesmo nome.

A entrada (se é que podemos chamá-la assim) era minúscula. Por várias vezes tivemos que passar bem abaixados ou totalmente sentados de um canto para o outro. E o mais interessante dessa caverna é que existe uma cachoeira dentro dela.

Caverna Ouro Grosso - PETAR 1

A partir de um certo ponto, você começa a pisar na água. E ao final do caminho encontrará, com a água acima de seus joelhos, a cachoeira a qual me refiro. Terá que subir umas pedras para ter acesso à queda e a pequena piscina que é formada. Cuidado pois apesar da superfície ser pequena, ela é realmente funda.

Caverna Ouro Grosso - PETAR 6

Algumas pessoas do nosso grupo/família acharam essa a mais aventureira de todas. Inclusive as duas crianças que estavam conosco: Sofia de 10 anos e Pedro de 12, que se divertiram à beça. Aliás, super recomendamos levar crianças para esse passeio, desde que tenham idade e força suficiente para se segurarem e por conta disso, penso que esse intervalo de 10 à 13 anos é quando eles sentem a magia da aventura e conseguem, dentro de um certo limite, cuidarem de si.

Como disse, conhecemos o principal desse destino. Mas queremos voltar para fazer o bóia cross (que deixou as crianças desoladas por não terem conseguido fazer), outras cavernas e quem sabe algo mais radical como rappel e escalada dentro de montanhas?

Não façam como eu e subestimem esse destino. Ele é algo inacreditável. Você não imagina que existe um lugar como esse aqui no Brasil, até por os pés dentro de sua primeira caverna.

PETAR, Caverna do Diabo - São Paulo

DICAS

- Tomem cuidado com a Régis na parte em que a chamam de Serra do Cafezal. Ela se estreita nesse trecho e existem muitos caminhões passando por lá.

- Head Lamps são melhores que lanternas de mão porque deixam suas mãos livres.

- A pousada onde ficamos oferecia o jantar por R$18. Não existem muitas opções por lá.

- Para a caverna da Água Suja ou Ouro Preto, recomendo um calçado emborrachado próprio para andar em lugares molhados com chão é cheio de pedras.

- Algumas pousadas, por R$15, preparam um lanche para você passar o seu dia. Como tínhamos frigobar no quarto, achamos melhor comprar as coisas no mercado e prepará-las nós mesmo.

- Se algumas das cavernas que for visitar tiver água até a cintura ou uma cachoeira pelo caminho, já vá com o biquíni por baixo e não se esqueça da toalha.

- Para lugares molhados, utilize tudo o que tiver de impermeável: sacos, mochilas e cases de câmeras. Para ter uma idéia, não entramos com a Nikon na Caverna Água Suja ou Ouro Grosso. Usamos só a GoPro que já tinha um case à prova d’água.

Links externos

www.petaronline.com.br
www.cavernadodiabo.com.br


4 Comentarios

[...] disse no primeiro post que escrevi sobre o Petar (PETAR e a Caverna do Diabo), você encontrará mais e melhores opções na cidade de [...]

Pingback por Onde ficar no PETAR | Dicas e Turismo - Seu guia de viagem. As melhores dicas sobre turismo, viagem, destinos e pacotes turísticos. — 5 de agosto de 2013 @ 01:53



Ótimo o post. Esses dias mesmo estava pesquisando sobre as cavernas, foi legal encontrar o post de vocês. As fotos estão incríveis, principalmente as do Flickr? Muito difícil fotografar nas cavernas? Abs.

Feito por Fabio Pastorello — 31 de outubro de 2013 @ 23:40



Olha Fabio, a Caverna do Diabo não é tão difícil de fotografar, pois tem iluminação interna, as outras serão mais difíceis mesmo. Vai ter que dar uma reguladinha na máquina e se der, levar o tripé para evitar que elas fiquem muito tremidas. Fico feliz que tenha gostado do nosso post e fotos. Abraços

Feito por admin — 3 de novembro de 2013 @ 18:50



Adorei o post! O Petar é DEMAIS! Coloquei algumas dicas e fotos das cavernas no meu blog tbm http://casalnomade.blogspot.com.br/ :)

Feito por Jessica — 28 de maio de 2014 @ 18:49



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