Dicas e Turismo

Marrakech, Marrocos

Já faz 1 ano que essa viagem aconteceu, mas não tive tempo de escrever sobre ela. Agora, com uma folga que apareceu, vou contar para vocês como foi essa aventura.

Na realidade, a cidade de Marrakech em si nunca foi um destino que eu queria muito, muito, muito conhecer. A vontade na verdade era a de visitar o Deserto do Saara. Então, teríamos que passar por essa cidade e aproveitar para conhecer essa cultura que se mostrou bem diferente, com direito inclusive a algumas roubadas que contarei depois, em um post todo especial para essa façanha… rsrs.

A cidade de Marrakech é um destino muito marcante por suas comidas, temperos, cultura, religião, arquitetura e as pessoas que ali vivem, a forma como muitas ainda se vestem. Essa marca é o resultado de diversos povos que por ali passaram e influenciaram a cultura como os berberes, mouros, espanhóis e franceses.

Foi criada no século XI, passou por diferentes dominações e logo no início, pelo seu rápido crescimento, tornou-se um centro religioso e também comercial. Interessante ver alguns traços dessa evolução no fato da cidade ainda conservar a chamada Medina, hoje um dos distritos da cidade, mas que foi o núcleo de seu crescimento. Por conta disso é chamada também de Cidade Antiga e guarda as muralhas que antes a protegiam, interligando-a com os demais distritos pelos grandes e imponentes portões (arcos) que interrompem a tal muralha de tantos em tantos metros.

Não vou dizer que Marrakech entrou na minha lista de destinos favoritos, mas é definitivamente um lugar que você precisa conhecer antes de morrer, rsrs. Abaixo conto os detalhes sobre a nossa viagem para Marrakech.

marrakech onde fica
Onde fica

Marrakech é uma cidade localizada na região centro-sudeste no Marrocos, país da África. Por conta dessa posição é chamada também de a Porta do Sul ou por suas cores, como a Cidade Vermelha. É considerada uma das cidades imperiais do Marrocos.

A cidade é dividida em 5 grandes distritos, chamados também de arrondissements, que são: Medina, Annakhil, Gueliz, Menara e Sidi Yousesef ben Ali. Dentro deles existem subdivisões de regiões, como bairros menores.

como chegar
Como chegar

Antes de ir para Marrakech, ficamos em Mardid. Então, pegamos um voo com a nossa querida Low Cost Ryanair por uns 40 euros e voamos para a cidade marroquina. O voo foi direto e durou cerca de 2 horas.

Desembarcamos no Aeroporto Internacional de Marrakech-Menara que fica no distrito de Menara, cuja sigla é RAK. De lá até a Medina, por exemplo, são aproximadamente 20 minutos de taxi. O site oficial do aeroporto é esse aqui – www.onda.ma.

No site do aeroporto existe uma informação de que um serviço shuttle faz o trajeto cidade-aeroporto-cidade a cada 20 minutos. Mas não utilizamos essa opção. Chegamos no destino por volta de 23h e acabamos pegando um taxi para o hotel.

Vi também pela internet que existe ainda um ônibus público, chamado de autocarro, que parte do aeroporto e passa por alguns pontos da cidade. A linha 19 é a que serve os viajantes. A empresa que cuida desse tipo de transporte é a http://alsa.ma. Essa linha para em pontos como a Mesquita Koutoubia / Praça Jemaa El Fna, tem uma frequência de 30 minutos e roda das 7h às 21:30h.

Clima

Estivemos em Marrakech no início de Março e devo dizer que o clima estava muito agradável. Uma camiseta pela manhã e manga três quartos de dia e à noite, uma blusa fina de manga comprida e um lenço/chale, davam conta do recado.

As estações da primavera (março/maio aproximadamente) e outono (setembro/novembro aproximadamente) são consideradas as mais agradáveis para conhecer a cidade de Marrakech com variações médias de 15°C a 29°C. Já no inverno, apesar das temperaturas amenas durante o dia como 20°C mais ou menos, à noite o termômetro pode marcar 6°C . O mês considerado mais frio é o mês de Janeiro. E no verão, temperaturas podem atingir os 38°C .

Aqui você consegue ver de forma detalhada a média de temperatura anual em Marrakech – www.temperatureweather.com.

Portanto, se a questão é: quando visitar Marrakech? Digo a você que a primavera e o outono são os melhores períodos.

marrakech como se locomover
Como se locomover

Pois é! Se chegar tarde da noite na cidade, como nós fizemos, vai ter uma impressão de calmaria na cidade. No dia seguinte, pela manhã, vai se surpreender quando sair às ruas, principalmente ao redor da Medina, e ver aquele caos de carros, taxis e motocicletas. Uma verdadeira bagunça.

Mas fique tranquilo, não é nada que você não consiga lidar. Muitos dos atrativos dentro da Medina podem ser alcançados à pé. Aquelas que ficam fora, você poderá pegar tranquilamente um taxi e chegar até elas.

Sim, muitos dos taxis que vimos e pegamos eram bem velhos. Mas te levam em segurança onde você precisa chegar. É um meio de transporte que não é caro e os motoristas que pegamos se esforçaram para conversar e serem simpáticos. Sem problema algum para utilização de taxis por lá.

marrakech onde ficar
Onde ficar

A melhor sensação é ficar mesmo dentro da Medina. Lá você irá viver a cidade em seu mais alto contato com a cultura marroquina. Entretanto, a maior parte das hospedagens que ali estão são menores, como hostels e pequenas pousadas, ou ainda os característicos Riads.

Os Riads são antigas casas ou casarões, geralmente com um pátio central interno e que foram transformadas em hospedagens. Por conta disso não possuem grande quantidade de quartos. Geralmente entre 5 e 10 quartos e oferecem um ambiente mais intimista, deixando você imerso na cultura dos anfitriões. As categorias e níveis de comodidade podem varias entre albergues até Riads de Luxo.

Fora da Medina você encontrará os hotéis de rede como Novotel, Renaissance, Ibis, entre outros.

Quando estivemos em Marrakech, em parceria com nosso blog, ficamos hospedados no fantástico e fabuloso Hotel La Mamounia – www.mamounia.com. Ele é um dos poucos hotéis 5 estrelas situado dentro ainda da Medina, na área dos Jardins De La Koutoubia.

Você pode ir à pé dele até, por exemplo, a praça Jemaa el Fna e outras atrações da Medina. É uma localização muito boa, distante o suficiente para ter tranquilidade e perto o suficiente para ter acesso à agitação, à pé. Sem contar que todo o espaço do hotel é lindo, impecável e muito agradável. Aqui conto com mais detalhes como é esse hotel e como foi a nossa estadia – Onde ficar em Marrakech.

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Onde comer

Em nossa viagem para o Marrocos, passamos a primeira noite em Marrakech e depois, na manhã seguinte, partimos para o tour do Saara. Portanto, saboreamos as comidas marroquinas durante esse passeio de 3 dias.

Quando então retornamos à Marrakech, digamos que estávamos satisfeitos demais dessa gastronomia e precisávamos de fato de uma boa comida italiana. Mas vou contar um pouco das comidinhas que você deve provar.

Um dos pratos que mais comemos nessa viagem foi a famosa Tajine ou Tagine. Esse na realidade é um prato árabe muito servido no norte da África. Ele é servido em um recipiente diferente e próprio, geralmente de barro e com uma tampa com formato de cone. Ao centro existe um pedaço de carne cozida (geralmente frango, mas você pode encontrar também o cordeiro como opção) e sobre essa carne, alguns legumes cozidos como cenouras, batatas e outros mais. É bem saboroso.

Outro prato típico da região é o famoso Cuscuz Marroquino. Esse prato é feito à base de sêmola de trigo e servido com vegetais cozidos sobre ele e às vezes carne, também. É um cuscuz diferente do nosso, mas também muito saboroso. Provamos ainda algumas sopas bem gostosas nas duas noites de tour pelo Saara. Eram caldos mais grossos, servidos também em recipientes de barro e muitas vezes davam para você uma colher funda de madeira para tomar a sopa.

Você vai notar alguns temperos diferentes muito presentes nas comidas da região como a páprica, coentro, cominho, açafrão e pimenta. Às vezes não vai conseguir identificar quantos deles estão naquele prato, mas no final, fica sempre gostoso.

Porém, apesar dessa deliciosa experiência, para você que não está acostumado com esses temperos, uma hora você fica com vontade de comer outras coisas. E isso aconteceu quando retornamos à Marrakech.

Foi então que encontramos na praça Jemaa el Fna um restaurante italiano, de dono italiano, que mora em Marrakech há mais de 10 anos. Foi uma boa saída para mudar um pouco de tempero. Se não me engano o nome é Café Aqua Restaurant, o preço dos pratos não é abusivo e no andar superior, tem um terraço grande onde você pode jantar e ver todo o grande movimento da famosa praça Jemaa el Fna.

Falando ainda na praça, é no período noturno que é montada um tipo de feira gastronômica por lá. Você vai passar por uma série de barracas montadas e que servem algumas refeições rápidas, preparadas ali mesmo na praça. Serão também pratos típicos, sanduíches, doces, os famosos sucos de laranja entre outros. Vou ser sincera. Não tive coragem de experimentar. Digamos que as sujeiras sobre as unhas dos preparadores me intimidaram um pouco… rsrs. Mas não creio que aconteceriam grandes problemas caso eu tivesse decidido experimentar. Como já tinha provado os sabores do Marrocos do tour do Saara, me dei por satisfeita em relação à gastronomia local.

Fora isso, para os fast foods fans de plantão, encontramos um Mc Donalds na região de Guéliz, quando estávamos passeando pelo bairro.

O que fazer em Marrakech

Existem muitos atrativos para você conhecer em Marrakech. Quando lá estivemos, passamos 2 dias inteiros. Não deu para visitar tudo, mas vou contar um pouco do que vimos e outras que não deu tempo, mas que você pode tentar encaixar em seu roteiro de Marrakech.

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Praça Jemaa el Fna

A maior atração da cidade é sem dúvida essa praça, considerada o coração da Medina. Mas sua mais marcante característica, não é a praça em si mas as coisas que acontecem nela. O tal ritmo frenético da cidade é vivenciado nesse local que ao longo do dia apresenta duas faces: Jemaa el Fna de dia e Jemaa el Fna à noite.

Ao redor dessa praça, voltada para o seu centro, estão as lojas de lenços e souvenires, diversos restaurantes e cafés como o famoso Café de France. De dia vai ver um grande movimento de pessoas passando por ali e também alguns encantadores de cobras, pessoas fazendo tatuagens de henna, barracas vendendo os famosos sucos de laranja. À noite, muitas dessas presenças continuam, mas o ponto alto são as barracas de comidas que se instalam ali para servir turistas e seus moradores. O som dos instrumentos tocados pelos marroquinos, suas músicas regionais, embalam aquele ambiente e cultura tão diferente.

Alguns dizem que a tradução do nome dessa praça pode significar duas coisas: assembléia dos mortos, por ser lá onde os criminosos eram executados ou lugar da mesquita desaparecida, pois aparentemente existia ali uma mesquita que por fim foi destruída.

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Jardim Majorelle

Um lugar muito bonito e tranquilo de se conhecer. Esse jardim britânico foi fundado pelo pintor francês Jacques Majorelle em 1931 e depois adquirido por Pierre Bergé e Yves Saint Laurent na década de 80. Atualmente a Fundação Jardim Majorelle é a responsável por cuidar do local.

O ponto mais marcante dessa atração são as áreas pintadas com o fabuloso Azul Marojelle, coloração criada pelo próprio pintor.

O jardim é aberto à visitação e encontra-se fora da Medina, a cerca de 3Km da Praça Jemaa el Fna ou 12 min de carro. Para chegar até o Jardim, pegamos um taxi a partir da Medina.

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Palácio Bahia

Chamado também de Palais Bahia, esse palácio ainda bem conservado é uma boa oportunidade de conhecer a arquitetura local em todos os seus detalhes. É impressionante o trabalho feito nos mosaicos de azulejos e também nos arcos das portas.

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Mesquita Koutoubia

Outro cartão postal da cidade é essa mesquita. Um dos mais importantes monumentos de Marrakech com seu imponente minarete de 69m de altura, semelhante ao minarete de Sevilha, a Giralda.

Encontra-se na Av Mohamed V, a sudoeste da Praça Jemaa el Fna, a pouquíssimos passos dessa praça. Ainda próximo a ela existe um parque, Parc Lalla Hasna, pelo qual passamos para chegar até a mesquita.

Infelizmente não é possível visitar seu interior. Apenas muçulmanos podem entrar nela.

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Palácio el Badi

Uma das ruínas de outro palácio que você pode visitar em Marrakech. Está a cerca de 12 minutos de caminhada a partir da Praça Jemaa el Fna.

Quando o sultão saadino Ahmed al-Mansur subiu ao trono, construiu esse palácio. A construção foi finalizada no ano de 1594. Após a queda dos saadinos, este local entrou em decadência e alguns de seus itens foram utilizados para a construção de um novo palácio.

Hoje, como atração turística, é uma visita bem interessante. Seu centro possui abaixo do nível por onde os pedestres caminham, um jardim de laranjeiras. Existem ainda alguns caminhos subterrâneos muito interessantes de conhecer, com salas escuras por onde você pode passar. Vai se sentir um Indiana Jones. Existe uma iluminação fraca dentro desses caminhos, mas em alguns momentos utilizamos a luz do celular para iluminar algumas salas escuras.

Informações importantes: existem sanitários lá dentro que os turistas podem utilizar. Existem ainda pontos de visitação a céu aberto, portanto, cuidado com a visita quando o sol estiver forte e levem um chapéu ou algo do tipo.

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Túmulos Saadianos

Uma espécie de mausoléu da cidade onde estão presentes as tumbas de cerca 60 membros da dinastia saadina. Dinastia esta que esteve no comando do reino de Marrocos entre os séculos XVI e XVII.

Esse mausoléu está ainda bem conservado em relação ao Palácio el Badi. Ainda existem os tetos e pelas salas que você passar também poderá apreciar o lindo trabalho feito em sua construção nos mosaicos de azulejos e nas molduras de portas e janelas. É realmente um trabalho minucioso, delicado, do qual você pode observar ainda em muitas partes.

Sua construção teve início no ano de 1557, passou por um período de decadência e sofreu uma restauração no ano de 1917.

O túmulo de Ahmed al-Mansur, um importante rei do Marrocos desta dinastia, encontra-se também nesse mausoléu.

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Jardins de la Ménara

Não tão encantador como o Jardim Majorelle, este jardim faz parte também das atrações turísticas visitadas em Marrakech. Encontra-se fora da Medina, a cerca de 3,8Km de distância a partir de Jemaa el Fna. Em nossa viagem, fomos até esse jardim de taxi. É um local público, então você não paga ingresso para entrar no jardim.

Aqui também vale a dica do chapéu… Como o jardim é um local aberto, se planejar a visita em dias de sol forte, leve um chapéu para se proteger. Você terá que cruzar esse jardim, com suas largas alamedas rodeadas de oliveiras, para chegar até o ponto em que os turísticas adoram fotografar: o pavilhão Ménara e seu lago artificial.

Aparentemente esse lago é abastecido por um sistema que retira a água da cadeia de montanhas do Alto Atlas, possível de se ver atrás do pavilhão com seu telhado verde em forma de pirâmide.

Muitos turistas acham que é um passeio que não vale muito a pena. Sim, é verdade que não é um ponto com tantas coisas para se ver, mas faz parte da vida dessa cidade. Se você se propôs a visitar essa cultura e tem tempo à dispor em seu roteiro, acho sim que deve dar uma passada por ali. Apenas não entramos no pavilhão. Para isso, acho que terá que pagar alguma coisa para ver o interior.

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Estação de Marrakech

Se estiver viajando entre cidades do Marrocos como por exemplo, Fez, Casablanca, Tânger e Rabat, o trem pode ser uma boa opção para você e essa será a estação pela qual chegará a Marrakech.

Mesmo que tenhamos chegado à cidade e saído dela de avião, fomos até a estação para conhecê-la. Encontramos um local mais moderno, com estrutura de alimentação e outras facilidades para viajantes. A própria fachada da estação representa algo mais imponente.

Não é uma atração que motive uma visita, mas seria interessante se observasse também seu entorno. Um ritmo de vida diferente da Medina e com bonitas construções como o Teatro Royal. Encontra-se a 3Km de Jemaa el Fna.

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Mercado de Marrakech ou Souks

Dentro da Medina, por onde você passar, encontrará muitas lojinhas de lenços, bolsas, sapatos, temperos, souvenires e muito mais. Entretanto, nas ruas que partem da praça Jemaa el Fna, serão aquelas onde encontrará uma lojinha ao lado da outra.

Esses mercados e lojinhas exóticos, atraentes e que transbordam um clima de caos, são chamados também de souks, um tipo de mercado árabe.

Como todos sabem, aqui você precisa ter paciência para negociar. E se ficar olhando muito para as mercadorias, eles colam em você e são bem persistentes para iniciar uma negociação. Sinceramente não curto muito isso então, procurei ser mais discreta ao olhar as mercadorias coloridas, chamativas e muito interessantes. Mas faz parte também de uma viagem para Marrakech se perder nesse labirinto e apreciar essa vida comercial na Medina.

Como nossa visita foi curta à cidade, existem ainda outros atrativos que não chegamos a visitar, como a Medersa Ben Youssef, antiga escola islâmica e o Museu de Marrakech.

Vida noturna

As atrações noturnas como Clubs e tal, estão localizadas fora da Medina, assim como aqueles restaurantes mais sofisticados.

Como não chegamos a visitar esses locais, pois o que mais nos chamou a atenção foi a noite em Jemaa el Fna, deixo aqui um link do TripAdvisor, que pode te ajudar na escolha de sua atração noturna – Vida Noturna em Marrakech.

Dica

Aproveite para conhecer o Saara em sua viagem para o Marrocos. Essa foi a principal motivação de minha viagem a esse páis e o ponto alto dela. Mas é algo que você precisa fazer acompanhado de uma empresa.

Em nossa viagem tivemos o prazer de conhecer e ter como parceiro a empresa Sahatours (www.sahatours.net) em uma excursão de 3 dias para o deserto. Foi uma experiência formidável e que recomendo a todos.

Links externos

www.visitmorocco.com


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