Dicas e Turismo

Cruzeiros em Fernando de Noronha?

Começo esse post com a premissa de que não sou uma turista (por enquanto, pois sou uma metamorfose ambulante) adepta a viagens de cruzeiro.

Embora nunca tenha feito um, não por falta de oportunidade, acredito que se você viaja para um lugar e quer conhecê-lo como se deve, nunca vai conseguir fazer isso em um cruzeiro.

Por mais que você desembarque durante o dia, realize aqueles passeios pré-programados e retorne à noite, dificilmente vai explorar o destino como realmente se deve.

Dito isso, vou introduzir a vocês o segundo tema debatido no Twitter por nosso prestigiado grupo de blogueiros e convidados através da hashtag #TurismoEmDebate e com postagens em nossa Fanpage no Facebook www.facebook.com/TurismoemDebate.

O tema em questão, como o próprio título do post diz, foi a polêmica questão dos cruzeiros em Noronha.

Não somos hipócritas. Sabemos que assim como os cruzeiros, outros meios utilizados para promover o deslocamento do viajante e concretizar a atividade que chamamos de turismo, tem sua parcela de contribuição para a poluição do meio ambiente.

Mas a questão de Noronha é um caso à parte. Uma situação mais delicada!

De acordo com um artigo muito interessante que a amiga Mirella Matthiesen (mikix.com) nos enviou (www.ethicaltraveler.org), os cruzeiros emitem três vezes mais dióxido carbono que os aviões.

E Fernando de Noronha, maior ilha do arquipélago de mesmo nome é um ecossistema um tanto quanto delicado e frágil. Não é à toa que se praticam taxas de preservação (R$ 43,20 por pessoa/dia – www.ilhadenoronha.com.br) e tanto se fala em capacidade de carga. Algo que aprendemos na faculdade de Turismo por exemplo, pode ser até utilizada, mas quase nunca respeitada. Você vai ver o porquê mais pra frente.

Se os cruzeiros que passavam por Fernando de Noronha já representavam uma situação de alerta para os protetores e vigilantes dessa área de proteção ambiental, a partir do ano passado, com a chegada do Ocean Dream, a questão passou a ser alarmante.

Voltando a capacidade de carga, ela pode até existir em Fernando de Noronha, mas passou a ser totalmente desrespeitada com a chegada dos cruzeiros.

Em muitos documentos encontrados pela internet e desatualizados, diz-se que o número referente a essa capacidade é de 1200 visitantes por dia.

O que acontece é que a cada vez que um cruzeiro chega por lá, cerca de 700 passageiros desembarcam e chegam a ilha para fazer seus passeios. Fora os visitantes que já estão por lá.

Só que esse número não é contabilizado na tal capacidade de carga. Ou seja, eis aqui o primeiro indício de impacto ambiental em Noronha.

Outro fator prejudicial, é que eles não utilizam a rede hoteleira da ilha, pois pernoitam a bordo. E essa é uma fonte de renda que deixa de existir para a população.

Mas o maior de todos os impactos é a quantidade de lixo e resíduos produzidos por cruzeiros cada vez maiores e mais frequentes que passam por Noronha.

Isso definitivamente ameaça toda a vida marinha do arquipélago.

Talvez Noronha esteja chegando a massificação enquanto destino turístico. Mas mesmo assim, o amigo Maurício do www.trilhaseaventuras.com.br lembra que Bonito foi um destino que aprendeu a conviver com um turismo relativamente de massa e a preservação ambiental.

E a amiga Clarissa Donda do www.dondeandoporai.com.br diz que talvez a solução para isso seja conscientizar a população, fiscalizar esses novos visitantes e oferecer uma estrutura favorável para a sobrevivência do arquipélago.

O Jodrian do http://Aventuramango.blogspot.com ainda dá a dica de que as armadoras, ao invés de pensar no lucro rápido e fácil, deveriam preocupar-se mais em associar suas marcas a atitudes mais sustentáveis.

E que para isso, não temos necessariamente que aumentar mais as taxas do que elas realmente já são. O amigo Valente da www.loumarturismo.com.br acredita que se tomarmos esse caminho, Noronha pode se tornar um destino inacessível aos turistas.

Enfim, fechamos esse debate com a nítida impressão de que em um dos lados temos novas classes de turistas, despreparados e não conscientizados, incentivados por empresas que querem tirar proveito de forma rápida e massiva de um de nossos tesouros nacionais.

E do outro lado temos uma, infelizmente, minoria (não por muito tempo) que une forças para fazer repercutir atitudes sustentáveis que deveriam competir aos órgãos públicos que assim como os três macacos (Sábios???) muitas vezes não ouvem, não enxergam e não falam.

O que importa, é que nós, os “Vigilantes da Blogsfera” faremos de tudo para causar cada vez mais Buzz em questões como essas e encontrar soluções também.

Até o próximo mês pessoal!


Um Comentario

Sempre tive o sonho de fazer um cruzeiro para Noronha, mas de pois de ler este artigo opto pela via aerea, a natureza merece nosso respeito!

Feito por Maila Assaf Salmazzi — 3 de setembro de 2013 @ 16:07



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